quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Hints: Desenhos

Pra quem me conhece bem, sabe que uma das coisas que eu mais gosto de fazer é desenhar. Isso pelo menos quando estou longe dos jogos, claro. Decidi fazer esse post para tentar ajudar quem quer começar a desenhar algo pelo menos diferente dos bonecos palito. Vídeos não são necessários, basta ler com calma e paciência, afinal de contas, a arte do desenho tem isso como foco principal.

Não sou profissional, porém fiz curso técnico em Comunicação Visual, e as técnicas que aprendi lá foram MUITO úteis. Devo agradecer aos meus professores, que são ótimos também como profissionais em diversas áreas, e que por todo esse tempo me deram dicas de como melhorar meus trabalhos, além do grande apoio.


#1 - O material

Muitos discutem sobre o fato de alguns desenhos serem bons devido aos materiais, outros defendem a habilidade da pessoa, e ainda há um grupo que mesmo sem nenhum dos dois, possui uma paciência capaz de contornar esses dois problemas e até gerando resultados melhores. Mas qual desses é o mais importante? A resposta é: Todos. Se alguém quer se tornar um bom desenhista, ou quer representar algo de forma fiel uma vez, é necessário ter os 3 de forma equilibrada. E nessa dica falarei sobre uma das partes dessa tríade tão discutida.

Como estou dando dicas de DESENHOS, e não de pinturas, então tintas ficarão de fora. Enfim, quanto aos lápis, sejam grafites ou de cor, eu recomendo os da marca Staedtler. O motivo: A madeira dos grafites é resistente, e a cor dos lápis é amarelo claro, o que para alguns pode causar uma sensação de mais calma em relação aos outros lápis com pintura mais escura. Os lápis de cor dessa marca também são especiais, tendo a mesma madeira resistente e ainda uma camada de grafite branco em volta do grafite original. Esse grafite branco garante maior resistência ao grafite colorido, e pode ser usado nos desenhos para clarear também.

Caso não encontre os lápis dessa marca, os da Faber Castell são uma alternativa. Eles, por serem um pouco mais baratos, não possuem a mesma eficiência que os da Staedtler, porém quebram um galho.

A linha de lápis que eu recomendo: Grafites - HB, 2B, 4B e 6B; De cor - Aquarela.

Tendo os lápis em mãos, falta o papel. Se procura um bom resultado, JAMAIS USE SULFITE! A folha sulfite é fina e não é recomendada para desenhos, e sim sketchs (rascunhos). Devido ao efeito do grafite, eu recomendo utilizar papéis da marca Canson, de preferência ásperos para grafite, e layout para lápis de cor. O motivo: Papéis ásperos combinam com o efeito de floculação do grafite, e papéis lisos espalham melhor as cores.

Caso não encontre nenhum papel desse tipo, recomendo usar alguma folha um pouco mais grossa que o sulfite. Qualquer outro papel, ainda mantendo a mesma regra de adaptação para cada um.

Tendo lápis e papel, já é possível começar a desenhar. Porém, ainda há alguns extras opcionais que podem ser importantes, dependendo do estilo e preferência da pessoa.

O primeiro extra é um apontador, de preferência os sem caixa ou com caixa transparente. Isso recomendo mais para lápis de cor, pois a ponta dos lápis vai diminuindo mais rapidamente. Porém, com o grafite também serve, principalmente os da classe B com numeração maior.

Caso não goste de apontador, recomendo comprar um estilete ou canivete. O motivo: É possível improvisar sua própria ponta de lápis raspando a madeira, e determinar o tamanho da ponta também.
Para usar, recomendo colocar o dedo polegar atrás do outro lado da lâmina, e o indicador na ponta cônica do lápis. Com a outra mão, o polegar deve empurrar o outro polegar, e todos os demais dedos devem estar segurando o lápis na parte de baixo.
Uma alternativa emergencial para esses dois materiais é uma tesoura. Porém, a tesoura deve ser de ponta e extremamente afiada, com a lâmina não muito grossa.

Há outros extras, que são os que ajudam na hora do desenho: Régua, compasso e transferidor. Recomendo a compra de uma régua de 50 ou 60cm. O material pode ser tanto de plástico quanto de metal, depende da preferência. Eu particularmente utilizo a de metal por ser mais fina e precisa, porém a régua de plástico possui um pouco mais de peso, servindo bem para os que tremem um pouco a mão na hora de traçar uma linha. O motivo de escolher esse tamanho, é que essas réguas são maiores que uma folha A4 e possibilitam um traço bem extenso em folhas A3 ou superiores. Também dá pra usar ambas, caso tenha uma régua de 30cm sobrando.
O compasso pode ser de qualquer material e tamanho. Recomendo comprar algum que venha com um suporte para lápis, pois caso acabe o grafite da ponta, ainda terá o lápis para substituir.
O transferidor é o mais inútil para arte livre. Porém se torna útil em desenhos geométricos, desenhos de construção, etc. É um item opcional, pois depende do gosto da pessoa pela arte (se é livre ou mais voltado à precisão).

Por fim, uma referência. Todo bom artista não cria ideias, apenas as evolui dentro de sua mente. Porém alguns gostam de reproduzir objetos, e para isso, recomendo materiais de uso cotidiano: Uma câmera e uma impressora.
A câmera serve para os que gostam de reproduzir uma imagem mais natural em um certo instante. Seja de celular ou semi-pro, ajuda muito também os que gostam de desenhar por observação por muito tempo. A impressora deve ser colorida e deve estar bem configurada para não usar tinta demais. É com ela que imagens da internet, de referência, poderão ser impressas. Caso saia muita tinta, é necessário ter cuidado, pois a tinta pode borrar a referência e criar detalhes que não existem na imagem original.

#2 - Ambiente

Alguns conseguem se acostumar a qualquer tipo de ambiente para desenhar. Outros, se limitam a certos ambientes e às vezes dependem de mesas ou apoios. No meu caso é a segunda opção, pois preciso aproximar meus olhos do desenho para analisar os detalhes. Portanto, preciso sempre de uma mesa em um espaço mais urbano, mais fechado.

Acredito que não há dicas de ambiente ideal para um artista. Tudo depende do gosto da pessoa, e o que ela vai fazer. Por exemplo, um desenho pequeno e sem muitos detalhes pode ser feito embaixo de uma árvore no parque, enquanto um desenho grande e cheio de detalhes pode ser feito em uma sala com mesa.

Porém há algo que recomendo para o ambiente: Música. Não importa o lugar, a música tem diversos efeitos dependendo do estilo e o gosto da pessoa, porém é ligada diretamente ao entretenimento da mente. Em outras palavras, acredito que a música dê inspiração e motivação, além de paciência. Fora que, caso sinta cansaço, ainda dá para relaxar simplesmente ouvindo a música.

#3 - Suporte

Para se desenhar, é necessário ter um suporte (com exceção dos desenhos em certos objetos e paredes), como uma mesa ou algum tipo de apoio. Às vezes até mesmo uma das mãos pode servir de apoio. Porém, se há algo que às vezes consegue ser mais útil que uma mesa, e está sempre presente, são as pernas.

Usar as pernas para apoiar o desenho é algo que dá pra fazer em qualquer lugar. Seja no ônibus, enquanto estiver sentado no chão, enfim. Caso precise enxergar melhor os detalhes, ainda dá para colocar algo sobre as pernas para levantar mais o desenho. Porém, isso exige que a pessoa tenha ou um bloco de desenho, ou um sketchbook. É óbvio que não dá para desenhar com apenas a folha em cima da perna.

O uso das mãos pode ser útil para desenhos em sketchbooks, que podem ser segurados com uma mão. E se precisar, os braços ainda ajudam mais.

Caso nenhuma dessas opções seja boa em determinado momento, recomendo nunca utilizar superfícies verticais. Elas exigem mais trabalho do artista, que deve segurar com um pouco de força o desenho, para que ele não caia. As superfícies diagonais são as mais recomendadas para uso, pois equilibram a altura dos olhos e o desenho, porém superfícies verticais são as mais comuns. Porém as horizontais podem causar dor nas costas e no pescoço, portanto recomendo usar com algumas pausas durante a produção do desenho.

#4 - Técnicas

Falar sobre técnicas de desenho é algo muito complexo. As técnicas variam de acordo com o tipo de desenho que o artista gosta, por exemplo: Estilo mangá, realismo, criação, abstracionismo etc.
Nesse ponto, acredito que a pessoa deve se identificar primeiro com o estilo que curte. Hoje em dia a maioria curte realismo e estilo mangá, porém criar não é uma má ideia, principalmente para os que tem uma boa imaginação para criar um personagem, uma história, uma saga...

De qualquer forma, falando no geral, eu recomendo começar com o básico: Proporção e sombreamento. Para fazer sombreamento, é bem simples: Basta treinar a força nas mãos e nos pulsos. Em uma folha, eu recomendo começar a rabiscar de leve em uma linha reta, e aos poucos ir aplicando um pouco mais de força até o limite do lápis. Outra recomendação, é treinar o preenchimento usando quadrados unidos. Em cada quadrado, um tom de cor deve estar presente e interligando os outros tons sem que a linha divisória esteja aparente. Para isso, os quadrados devem ser desenhados bem de leve.

Para fazer algo proporcional, pode parecer difícil, mas não é. Há várias maneiras de tentar deixar algo proporcional no papel, mas as que tem maior taxa de sucesso e perfeição são as técnicas de quadriculado e a de caixa de perspectiva.

A técnica de quadriculado deve ser aplicada tanto no papel quanto no que vai desenhar, ou seja, a referência deve estar no papel. Com uma régua, deve-se dividir toda a figura em diversos quadrados proporcionais. O recomendado é 2x2, porém, para desenhos maiores é possível usar 4x4, 6x6 e por aí vai. Na folha de desenho deve ser aplicado o mesmo quadrado de área e os mesmos quadrados proporcionais.
Pode parecer que não à primeira vista, mas esses quadriculados permitem maior precisão na hora de desenhar: Você pode saber exatamente em que ponto de cada quadrado uma linha começa ou acaba, ou onde ligar as linhas.
O único problema é na hora de apagar. Eu recomendo, assim como no treino de sombreamento/preenchimento, fazer os quadrados sem aplicar muita força. E na hora de apagá-los, recomendo não apagar os de dentro da figura, pois eles podem ajudar a desenhar os detalhes internos e, caso estejam bem claros, podem se misturar com o preenchimento e sumir naturalmente.

A técnica de caixa de proporção é bem clássica, e muitos provavelmente já viram até em desenhos animados, porém nunca entenderam muito bem. É mais usada para desenhar coisas reais ao invés de figuras. O artista segura o lápis na direção do que quer desenhar, marca a altura e a largura (partindo da ponta até no máximo um pouco antes do final do lápis), e depois mede e marca no papel as medidas. As medidas obviamente são influenciadas pela profundidade, e por isso, recomendo ficar à longa distância do que quer desenhar.
Com as medidas feitas, devem ser feitas algumas linhas para formarem uma caixa. Com a caixa pronta, o treino de observação começa, e a partir daí depende muito da habilidade e paciência da pessoa. Alguns se dão bem com observação e conseguem reproduzir fielmente e proporcionalmente as figuras, mas para os que não conseguem, a única recomendação que posso dar é treinar, seguindo esse esquema da caixa de proporção.

Para criação, não tenho muito o que falar porque depende exclusivamente da pessoa. Mesmo assim, ainda há uma regra que deve ser obedecida para que o desenho fique aceitável no papel: O tamanho.

Não adianta fazer um desenho maravilhoso, porém muito perto das laterais da folha ou com um grande espaço em branco que poderia ser aproveitado pelo próprio desenho. Por isso, recomendo fazer margens na folha, caso o desenho seja de alguma construção ou objeto, e uma pequena linha na parte de baixo (como se fosse um "chão") caso o desenho seja de um personagem. Para demais criações, a primeira regra se aplica. É basicamente a técnica da caixa de proporção, porém com outra utilidade.

Agora, falando de técnicas com materiais... Com o grafite, como já citei, não há muito segredo. Sabendo fazer sombreamento (seguindo o esquema de treino de força nas mãos), já é praticamente tudo. Porém, há materiais que usam o grafite como base, e é disso que vou falar.

Um dos materiais que muitos utilizam para dar um efeito esfumaçado e de preenchimento, é o esfuminho. Porém, pode ser substituído por um pedaço de algodão ou até mesmo a ponta dos dedos. Em uma área de transição de luz e sombra, o uso do esfuminho/algodão/dedo é muito útil para mesclar o preenchimento e não deixar a divisão de tons aparente, fora que o desenho fica menos "pontilhado" devido ao grafite.
O esfuminho, além disso, absorve o grafite. Para alguns, isso pode ser útil. Para outros, é inútil. De qualquer forma, caso queira reaproveitar o grafite, basta passar a ponta várias vezes em uma área cheia de grafite e depois utilizar em outros locais sem preenchimento. Ele também funciona como um lápis, com o tom do esfumaçado escurecendo caso muita força seja aplicada.
Para desenhar objetos de/com vidro, o uso do esfuminho é essencial. Dá pra, inclusive, fazer a maior parte do preenchimento do vidro usando apenas esfuminho ao invés de lápis.

Outro material bem usado é o limpa-tipos, ou borracha plástica. Essa massinha absorve o grafite como se fosse uma esponja, e isso é útil para clarear certas áreas do desenho. Também pode, se usado de uma certa forma, apagar traços. Para uma melhor visualização do desenho, caso ele tenha áreas onde o preenchimento foi completamente à lápis, recomendo passar bem de leve o limpa-tipos, para absorver o excesso. Dependendo da força aplicada, o brilho do grafite pode sumir, ou o desenho pode ficar claro. De qualquer forma, deve-se sempre tomar cuidado para que apenas o primeiro resultado seja o esperado.

Para finalizar essa dica, falarei sobre o uso de vários lápis em uma mesma área. Normalmente um único lápis não pode reproduzir um certo tom, e é necessário que outro seja usado. Para saber onde os lápis devem ser usados, recomendo riscar uma área para cada um, e se o desenho for muito grande, escrever bem de leve a numeração (tipo) do lápis dentro dessa área.
Conforme for preenchendo, chegará um momento em que haverá uma transição entre os tons. Recomendo sempre começar a juntar o tom mais suave com o mais forte, pois é possível forçar o lápis com a menor numeração (pelo menos na classe B) a reproduzir um tom mais escuro perto da transição. Depois é só fazer os últimos ajustes, se necessário, com o lápis de tom mais escuro.

#5 - O que desenhar?

Essa é uma dúvida que, apesar de parecer meio besta para alguns, é terrível para certos artistas. Principalmente os que reproduzem figuras.

Não há resposta para isso enquanto o estilo do artista não for definido, assim como comentei nas dicas de técnicas. Porém, para melhor aperfeiçoamento, recomendo começar com coisas básicas: Figuras geométricas.

Pode parecer estranho, mas treinar os traços com figuras geométricas ajuda muito, principalmente as figuras circulares. Quadrados ajudam a aperfeiçoar a técnica com pontas, triângulos ajudam a fazer linhas diagonais, mas círculos ajudam mais do que esses dois.
Os círculos, apesar de serem complicados para alguns, são os mais importantes, afinal retas de quadrados e triângulos podem ser feitas com réguas. Para fazer um círculo, basta tentar fazer vários círculos rapidamente, em um mesmo local. Depois, basta fazer um último círculo aproveitando as melhores linhas dos outros círculos feitos.
Caso a pessoa já saiba fazer um círculo sem essa técnica, já pode passar para o próximo passo: Fazer ondas. Não é difícil, porém mesmo assim é necessário saber fazer para que, na hora de desenhar curvas, o desenho não fique torto.

Depois das formas geométricas, recomendo desenhar objetos. Pode parecer chato, mas é necessário, não apenas para aprender mais sobre luz e sombra, mas também para aprender sobre superfícies: Plástico, vidro, metal etc. Objetos pequenos ou grandes podem ser feitos, não importa a técnica, seja de observação ou quadriculado.

Após analisar o brilho em cada tipo de superfície, já dá para continuar com algo maior, como desenhar pessoas. Porém, isso é opcional, pois aprendendo sobre luz e sombra em algumas superfícies, dá pra partir para diversos tipos de desenho, como mangá. É aqui que entra a decisão do artista no que desenhar.

Caso a pessoa goste do estilo mangá, recomendo que desenhe personagens de alguma série que goste, pois de alguma forma, desenhar algo que gosta é muito mais gratificante e prazeroso. O mesmo se aplica para quem curte realismo. Para quem prefere desenhar as coisas próximas à perfeição, aí já depende do que ela gosta: Natureza? Objetos? Pessoas? Mesmo com o gosto definido, às vezes ainda fica a dúvida do que desenhar, então aconselho a pedir ideias para qualquer pessoa, dando ênfase no que curte.

Agora, uma opinião pessoal sobre o que desenhar. Caso alguém peça um desenho, sem que você peça uma ideia à essa pessoa, recomendo fazer apenas se a pessoa for realmente muito próxima ou se você achar que o desenho não o fará falta. Falo por experiência própria: Dar desenhos pode ser legal, mas em certo ponto, também faz falta.
Dar um desenho à uma pessoa muito amiga e que, por exemplo, está saindo do país, é um bom presente. Porém, dar um desenho à uma pessoa que se distancia e para de falar com você, é algo capaz de causar até arrependimento.
Antes de desenhar algo para alguém, o grau de amizade e proximidade deve ser levado em conta. Isso, além de dar maior confiança (ao saber que o desenho estará em boas mãos), também interfere no processo de produção, pois saber que vai entregar um presente feito por você à algum amigo é capaz de melhorar a concentração e o capricho.

#6 - Tempo

Quanto ao tempo gasto nos desenhos, acredito que isso não deve ser algo que a pessoa deva se preocupar, exceto quando é para entregar para alguém ou até mesmo uma empresa.

Eu particularmente demoro MUITO para fazer meus desenhos, porém eu não penso no tempo que estou gastando. Eu penso na qualidade. Não importa se levei 1 mês para terminar 1 desenho, o que importa para mim é o resultado, e acredito que isso devia ser o foco dos que desenham. Alguns têm essa mesma perspectiva, mas outros não.

De qualquer forma, acho que com quanto mais tempo, é possível adicionar mais detalhes ao desenho, ajustar melhor o preenchimento, checar a proporção... Não que eu recomende demorar, mas eu recomendo não pensar no quanto está demorando para fazer algo, e sim pensar em como o desenho está ficando. Está bom? Ótimo, continue assim. Está ruim? Não se preocupe, você tem todo o tempo do mundo para melhorar o desenho. Ou quase, caso trabalhe fazendo desenhos.

#7 - Apoio das pessoas

O apoio de pessoas próximas é algo extremamente gratificante. Afinal, cada pessoa tem uma visão diferente sobre o desenho que está fazendo, e absorver as críticas e elogios de cada um é bom para a melhoria do desenho. Por exemplo, às vezes um pode encontrar uma linha desproporcional, mas outro pode dizer que o desenho está bom mesmo assim. Aí vem um terceiro e diz que se adicionar algo naquela parte errada, ficará ainda melhor. Quem você deve ouvir? Os 3.

Vamos a um exemplo: Um desenho de um olho. A pessoa desenha uma pupila e diversos cílios, até mais do que o normal.
As opiniões: "Está bom, parabéns!", "Falta mais brilho nas laterais da pupila!", "Reduza o número de cílios!", "Acho que se você desenhar um reflexo na pupila e fazer uma maquiagem, vai ficar muito bom!".

O que eu faria nesse caso, seria aplicar um pouco (bem pouco) de brilho na pupila, fazer um reflexo básico respeitando a iluminação, reduzir um pouco o número de cílios e escurecer um pouco a área dos cílios para entender que a pessoa passou um pouco de maquiagem.
Alguns tendem a ouvir as críticas de adição e subtração de elementos, enquanto outros ouvem as críticas de adição de elementos que não existem na referência ou que não foram planejados antes. De qualquer forma, mesmo com essas críticas sendo bem construtivas, o desenho deve ficar bom pra VOCÊ, que é a pessoa que deve saber o que fazer depois.

Além desse esquema de pedir críticas e ideias, há também o apoio por proximidade. Mas isso não recomendo. Afinal, é estranho e até desconfortável desenhar com uma pessoa te olhando ao lado e dando dicas ao mesmo tempo. Isso desconcentra muito. Porém, caso a pessoa seja realmente curiosa, dá para contornar isso colocando uma música que você goste para tocar. Isso vale apenas para fones de ouvido, pois pelo menos assim, não dá pra ouvir direito o som ambiente e muito menos a voz desconcentrante da pessoa próxima. Caso ela esteja muito próxima, com alguma parte do corpo dela visível e até mesmo o rosto visível, recomendo parar de desenhar ou conversar um pouco enquanto desenha. Ou simplesmente pedir gentilmente que ela se afaste um pouco.
Alguns não têm esse problema e conseguem desenhar até mesmo com uma plateia observando, e por isso aconselho que faça um teste para ver que tipo de pessoa você é. Caso não se incomode com o que acontece em volta, então está apto a desenhar em qualquer lugar. Caso se incomode, desenhe em lugares quietos, e sozinho.

Por fim, algo gratificante: Enquanto desenha, pergunte a seus superiores ou especialistas em desenho se o seu desenho está ficando bom. Tente caprichar bastante para receber um "Sim, está bom". A opinião de pessoas superiores e com maior conhecimento é muito importante e até o estimula a continuar desenhando e melhorando.

#8 - Comida e bebida

Comer ou beber algo enquanto desenha às vezes é bem importante. Dependendo do que estiver comendo/bebendo, é capaz de ficar mais atento e concentrado. Porém, coisas pequenas devem ser consumidas, como salgadinhos e sucos de caixinha.

Porém, algumas coisas podem sujar o desenho, por isso recomendo deixar um espaço ao lado da folha para a comida e a bebida. Nunca em cima da folha, não importa se o que estiver comendo faça pouca sujeira.
Em lugares onde não há apoio (um parque, por exemplo), recomendo deixar as coisas no colo ou no chão, e evitar o contato com o papel com a mão que está usando para comer/beber.

#9 - Armazenamento

Para guardar os desenhos, aconselho o uso de um bloco de desenho com capa dura, uma pasta comum, ou uma pasta portfólio. Nunca enrole ou dobre o desenho, pois isso desvaloriza muito.

Os desenhos devem ser guardados de forma que não terão contato com quaisquer elementos externos, como por exemplo água da chuva ou sujeira de alguns locais. Isso requer extremo cuidado também com o que está usando para armazenar.
O contato com água da chuva prejudica não só o desenho em si, mas também a folha permanentemente. Lembre que a água da chuva possui substâncias além de água, estas, que podem manchar o desenho.
O contato com sujeira pode prejudicar temporariamente ou permanentemente o desenho. Se a sujeira não passar de poeira ou pequenos ciscos, nada de mal acontecerá. Porém, caso seja algo grudento, deve ter-se extremo cuidado, principalmente se o desenho ainda estiver sendo feito.

#10 - Portfólio/Divulgação

Fazer desenhos para ter um bom portfólio é ótimo, pois dependendo do seu estilo, você pode seguir para uma certa área e até mesmo ser contratado por grandes editoras. Porém, para isso acontecer, os desenhos devem estar impecáveis: Sem sujeira, fiéis ao que você tentou desenhar etc.
O portfólio em si também tem suas regras. Ele deve estar nomeado e bem organizado para que seja atraente aos olhos das outras pessoas. Para torná-lo mais interessante, é recomendável organizar os desenhos na ordem: Melhores desenhos, desenhos medianos, melhores desenhos. Isso faz com que a pessoa possa ser surpreendida com uma melhora na qualidade ao final do portfólio.
Outra coisa, é quanto ao nome dos desenhos, material usado e estilo. Eu particularmente não vejo necessidade de especificá-los, porém, caso queira, aconselho colocar uma pequena etiqueta no canto das folhas, seguindo um padrão (nunca colocando em cantos diferentes em outros desenhos).

Quanto à divulgação, o melhor meio é a internet, obviamente. Porém, é muito simples alguém chegar e roubar o desenho, e colocar créditos a si mesma. Para impedir que isso aconteça, faça uma assinatura, ou coloque uma marca d'água com seu nome no meio do desenho. Poste os desenhos em redes sociais, peça para divulgarem se quiser... Enfim, a partir daí, a escolha é sua.

#11 - Ensinando e dando dicas aos outros

Nunca tenha medo de ensinar o próximo, ou pelo menos tentar. Isso é o que acontece comigo. Eu gosto de dar dicas e espalhar o que sei para todos, até mesmo os que não desenham. Porém, nunca minta sobre tal coisa, ou critique algo que outra pessoa possa gostar. Sempre dê ênfase no que você aprendeu, no que você usa, como o usa, e por aí vai. Cabe à outra pessoa decidir se vai seguir os mesmos passos, ou tentar um caminho diferente.

Também tenha paciência com quem sabe menos do que você. É muito comum alguém perguntar que material artístico você está usando, afinal, materiais artísticos não são tão comuns. Um exemplo, se alguém vier perguntar: "O que é essa massinha?" se referindo ao limpa-tipos, tenha paciência de explicar que é uma borracha plástica apelidada de limpa-tipos, fale a marca se possível, e fale a utilidade. Caso a pessoa não entenda direito ou fique questionando se realmente funciona para tal fim, mostre um exemplo de como funciona, em qualquer lugar.

Enfim, tente sempre espalhar o conhecimento artístico até com quem não queira. É interessante, e às vezes até surpreendente para eles, ver que você sabe sobre tal assunto. Também não tenha medo de ensinar quem aparentemente tem um potencial até melhor que o seu, mas que ainda está desenvolvendo. Ver alguém que, depois de um tempo e se aperfeiçoou mais graças a você é algo gratificante.



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Bom, é isso aí! Espero que tenham gostado do post, e espero ter ajudado quem já desenha ou que quer aprender a desenhar! Eu gostaria de fazer vídeos para exemplificar algumas coisas, porém eu não tenho câmera para isso. De qualquer forma, caso queiram, pesquisem sobre algumas coisas que falei. Afinal, quanto mais pesquisarem, melhor.

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