... Da banda In Flames.
Em 2013, muita coisa aconteceu... Muita merda, pra falar a verdade. Mas ter começado a ouvir as músicas dessa banda certamente foi alguma coisa pra salvar o ano.
Nesse post/artigo crítico comentarei sobre algumas das músicas individualmente, e todos os álbuns no geral. E é claro, um pouco da história da banda e como eu conheci.
Primeiramente, In Flames é uma banda sueca de death metal melódico que surgiu na década de 90. Naquela época a mídia não era tão desenvolvida quanto hoje, e a divulgação era pouca, obrigando os integrantes da banda a divulgarem por si mesmos seus sons. Com apenas 3 sons gravados em algumas cópias de fitas cassete feitas por eles mesmos, procuraram alguma gravadora para que pudessem começar a história. E acharam.
Em 1993, In Flames gravou um álbum que só foi lançado em 1994, entitulado Lunar Strain. Com os vocais de Mikael Stanne (atual vocalista de Dark Tranquillity), esse álbum possui as 3 músicas de divulgação produzidas entre 1990 e 1993 ("In Flames", "Upon an Oaken Throne" e "Clad in Shadows") e mais 7 inéditas.
Levando em conta a tecnologia da época e os recursos financeiros da banda, é possível dizer que o álbum é bom. Porém eu particularmente não o considero tão bom assim. E o motivo? Vocais. Stanne na época possuía uma voz mais fina do que atualmente, e isso dificulta o entendimento das letras. Mesmo assim, a parte instrumental é bem interessante e uma das músicas, "Hargalaten", representa bem o estilo musical clássico da Europa em seu instrumental.
A arte do álbum é uma montagem simples, porém há algo errado. O logo da banda é interessante, porém ele não fica muito bom ali no canto, e a fonte usada para entitular o álbum é muito simples. Mas não dá pra meter o pau logo no primeiro álbum de uma banda, não?
Ainda em 94, In Flames gravou um EP entitulado Subterranean que foi lançado em 1995. Com os vocais de Henke Forss, esse EP foi, um tempo depois, mesclado com Lunar Strain em um álbum único.
As músicas desse álbum foram melhor trabalhadas, e a parte instrumental melhorou notavelmente, combinando com os vocais de Stanne. Em uma nova tiragem, 2 novas músicas ("Dead Eternity" e "The Inborn Lifeless") e 2 covers ("Eye of the Beholder" do Metallica e "Murders in the Rue Morgue" do Iron Maiden) foram adicionados, deixando o álbum com o total de 9 músicas.
O interessante é que esse álbum possui uma transição de vocais na nova tiragem, tendo um total de 5 vocalistas diferentes. Anders Fridén, o vocalista atual da banda, foi um deles.
A arte do álbum é bem sombria, e de alguma forma combina bem com o estilo das músicas originais, passando uma sensação de que foram gravadas/tocadas no subterrâneo, e ainda marcando o começo de uma nova era da banda, com Anders nos vocais.
Eu curto apenas algumas músicas desse álbum, incluindo o cover do Metallica especialmente pelo solo.
No final de 95, The Jester Race começou a ser gravado e logo no começo de 1996 foi lançado. Inteiramente com os vocais de Anders Fridén, foi um dos álbuns mais marcantes da banda, que introduziu um mascote: Jester Head.
Com instrumentais e canções mais agitados, até que faz jus ao nome do álbum. A versão mais atual possui um EP entitulado Black-Ash Inheritance que adicionou 4 músicas, totalizando 14.
Mesmo com os vocais não tão "limpos" de Anders, há uma sintonia com os instrumentais fortes. E toda essa sintonia também é passada pra arte do álbum, que é sinistra e apocalíptica, ainda mais com o símbolo do Jester Head no centro.
Desse álbum eu curto praticamente 1/3. Algumas músicas, pra mim, não possuem a mesma força que "Artifacts of the Black Rain", "December Flower" ou o remake de "Dead Eternity". Mas mesmo assim o considero como um dos melhores e favoritos.
Em 1997, o álbum Whoracle foi lançado após muita confusão no estúdio de gravação, onde os integrantes da banda só queriam beber e se divertir ao invés de gravar. Esse foi o primeiro álbum da banda no qual há uma união de palavras para formar o título: "Whore" (vadia) e "Oracle" (oráculo).
Pela arte, obviamente o título não faz sentido. Mas temos que considerar que vindo de um artista que provavelmente se drogou ou bebeu, e uma banda que preferia encher a cara, tinha que sair algo completamente conceitual, não?
O estilo desse álbum é parecido com o anterior, porém difere em algumas notas e não passa a mesma força de antes, porém é bom. Ainda, suas músicas formam uma história completamente fictícia, que aliás serviu de inspiração para que fãs criassem um comic book da banda.
As músicas "Jotun" e "Clad In Shadows '99" (remake de "Clad In Shadows" do álbum Lunar Strain, que foi colocado após o relançamento) são, provavelmente, as únicas que eu gosto desse álbum.
Antes do novo milênio, em 1999, a banda lançou Colony, um álbum com tema religioso e espiritual. Diferente de Whoracle, esse álbum possui músicas agitadas, mas com um estilo único e diferente de The Jester Race.
Nesse álbum, há dois remakes de Lunar Strain ("Behind Space" e "Clad In Shadows"), um deles tendo sido lançado em Whoracle e nesse ("Clad In Shadows '99") e músicas com algumas curiosidades: "Pallar Anders Visa", traduzido, fica "The Ballad of Anders the Thief"; "Embody The Invisible" está presente no jogo Tony Hawk's Underground; e uma das músicas causa confusão até os dias atuais em relação ao título e letras ("The New Word").
Desse álbum eu curto diversas músicas, porém considero "Zombie Inc." como uma das mais especiais devido ao solo. "Colony" e "Ordinary Story" também são minhas favoritas, devido ao ritmo e os vocais épicos de Anders.
Em 2000, Clayman foi lançado, trazendo um novo estilo à banda com o uso de vocais mais limpos. As músicas são fortes e rápidas, no mesmo estilo de "Clad In Shadows '99" do álbum anterior.
Esse foi considerado um dos melhores álbuns da banda e também o "fim" da banda para alguns fãs. De fato, o estilo mudou muito a partir desse álbum, mas não quer dizer que isso seja tão ruim. Pelo menos na parte musical, pois na artística ficou bem estranho: O homem vitruviano de Leonardo da Vinci, com um fundo azul em chamas? Tudo bem que faz jus ao nome da banda, mas... Azul?
Das 11 músicas presentes, eu curto 8, deixando esse como um dos meus álbuns favoritos. Porém, eu não o considero o melhor, pois os vocais de Anders mudaram mas ao mesmo tempo ficaram mais fáceis de entender.
Em 2002, Reroute to Remain foi lançado, dividindo ainda mais a fanbase da banda. Trazendo um estilo completamente diferente, sem a mesma energia de antes, foi o primeiro passo para a transição do que pouca gente entendia as letras, para o que todos entendessem.
Esse álbum é um dos quais eu não curto muito. Apenas algumas músicas, como "Black and White" e "Reroute to Remain" são minhas favoritas.
Em compensação, a arte do álbum pra mim é boa, e faz jus ao subtítulo "Fourteen songs of conscious insanity". É algo meio fantasioso e conceitual.
Em 2004, Soundtrack To Your Escape foi lançado, ainda seguindo a mudança de estilo vinda de seu antecessor. Porém, a modernização nas músicas fez com que algumas delas ficassem boas e outras "nem tanto".
É possível perceber a modernização na própria capa. Eu não identifico o que seja o objeto no meio, porém a tecla Esc no canto já passa essa ideia.
Desse álbum eu curto praticamente as músicas mais famosas, porém com lados sombrios: "The Quiet Place", "My Sweet Shadow", "Dead Alone" e outras. Enfim, eu o considero um álbum bom mesmo tendo recebido muitas críticas dos fãs de longa data.
Em 2006, a banda lançou Come Clarity, um álbum que mistura um pouco do seu estilo antigo com o atual. Sendo bem recebido pelos fãs, é um dos mais famosos álbuns (e se não o mais famoso álbum) e possui a arte do ilustrador Derek Hess, que já fez capas para diversas bandas de metal, incluindo a brasileira Sepultura.
Esse foi o primeiro álbum da banda que comecei a ouvir em 2013. Após pesquisar pela banda, depois de ouvir a música "Self vs Self" do Pendulum (onde há parceria), esse foi o primeiro nos resultados. Eu até o momento não curtia muito metal, mas essa foi a porta de entrada pra mim, e por isso gosto muito de quase todas as músicas do álbum. Em especial "Come Clarity" e "Vanishing Light", pela canção e ritmo, respectivamente.
Depois do sucesso de Come Clarity, em 2008, A Sense of Purpose foi lançado. Porém, se distanciando um pouco do estilo adotado pela banda anteriormente, mas mantendo o toque moderno nas músicas.
Nessa época do lançamento, Anders começou a ter problemas com suas cordas vocais, e mesmo tentando não forçar muito, acabou usando seu potencial para produzir as músicas e cantá-las em turnês. É possível perceber o controle da voz em diversas músicas, e diferenciar do álbum anterior.
Mesmo com algumas músicas que eu gosto, esse álbum não me atrai tanto quanto os outros, pois é calmo demais pro meu gosto.
Após diversas turnês de A Sense of Purpose, a banda voltou a trabalhar no próximo álbum, e lançou, em 2011, Sounds of a Playground Fading. Como já comentei, Anders estava perdendo a voz, e nesse álbum ele está completamente diferente. E se comparar este álbum com Clayman, é possível dizer que não são a mesma pessoa.
Mesmo adotando ritmos diferentes com a saída de Jesper Stromblad, esse álbum traz algo apreciado por muitos fãs, velhos e novos, que é o estilo mais "dark". Esse estilo, de alguma forma, combina com a arte do álbum e dos singles "Deliver Us", "Where the Dead Ships Dwell" e "Ropes". Os solos e os vocais também entram em contraste, deixando todas as músicas agradáveis aos ouvidos de fãs de death metal.
Das 13 músicas do álbum, eu curto 8. E minhas favoritas são "Fear is the Weakness", "Where the Dead Ships Dwell" e "Jester's Door" (mesmo sendo uma narração de Anders, todo o instrumental e até mesmo o que ele conta me agradam).
O último álbum da banda, entitulado Siren Charms, foi lançado em 2014 e foi duramente criticado devido ao novo estilo, completamente único e diferente de seu antecessor. Obviamente, a voz de Anders nunca mais será a mesma, portanto os álbuns a partir de Sounds of a Playground Fading sempre terão o mesmo estilo de vocal, a menos que distorçam a voz.
O que difere este álbum do antecessor, é o fato de ser muito mais calmo, algo similar ao álbum A Sense of Purpose. Seus ritmos também demonstram a influência da cultura pop na banda.
Mesmo sendo odiado pela maioria dos fãs, eu ainda consigo gostar de duas músicas. Não que eu tenha realmente gostado desse trabalho, é mais pra não me fazer pensar que esse é o pior álbum (apesar que o considero assim...). As músicas são "When The World Explodes", que com um vocal feminino lembrou muito "Dead End" de Come Clarity, e "Filtered Truth".
Enfim, o que me faz gostar dessa banda é o estilo em cada álbum. Mesmo tendo mudado o line-up desde sua fundação (atualmente Anders é o membro mais antigo), eles ainda conseguem produzir músicas únicas. Porém, há de admitir: Eles já estão ficando sem ideias e lutando pelo dinheiro, assim como muitos artistas pop atualmente.
Eu aprecio muito os trabalhos antigos dessa banda, porém, como bom fã, aceito a mudança atual mas não gosto. Ainda tenho a esperança de que mesmo sem os vocais clássicos, o ritmo volte a ser de metal, e que a banda consiga mesclar esse estilo atual com o clássico e produzir bem.
Se você leu tudo até aqui, espero que tenha gostado! Lembrando que gosto é gosto, e que em alguns trechos expressei minha opinião que pode ser contrária à do leitor, porém tentei ser o mais neutro possível.











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