quinta-feira, 2 de abril de 2015

Quebrando a Cara: Revelations 2


E é com uma nova série de postagens que contarei sobre o último título da franquia Resident Evil, lançado em formato episódico e em disco.

Em Fevereiro, postei um artigo aqui no blog, criticando duramente o jogo. Eu escrevi o artigo me baseando no que foi divulgado até o dia que postei - vídeos, screenshots, artworks - e li MUITOS comentários antes de postar.

Porém, no final de Março, meu amigo Miquéias Ribeiro me passou sua conta e disse para eu tentar baixar os jogos (Resident Evil, Revelations 2). O Remake eu pude baixar, porém Revelations 2 ainda não estava disponível.
Num certo dia, entrei novamente na conta e encontrei os jogos disponíveis, graças à compra feita por ele em seu PlayStation 4. Baixei e me surpreendi com o tamanho de cada episódio, que não passava de pouco mais de 2GB (no PlayStation 3).


Partindo para o teste

Após baixar, fiz o que todo n00b em um jogo faz: Parti pra campanha. Dias antes eu havia visto gameplays completos, ou seja, já sabia de todos os objetivos e uma parte da história. Assim, me familiarizei com os cenários... Mas eles ainda escondiam muitas coisas...

Primeiramente, tentei me adequar aos controles. Eu já sabia que a movimentação era no estilo Resident Evil 6, e isso foi um dos pontos que critiquei no artigo. Porém, não é completamente igual... Em RE6, segurar o analógico para baixo fazia com que o personagem corresse na direção da câmera, e isso chegou até a me confundir anos depois de ter jogado. A combinação estranha da câmera e a movimentação na direção desejada foi a pior cagada da Capcom, mas isso foi arrumado em Revelations 2, deixando a jogabilidade mais no estilo Revelations 1: Ao virar a câmera, o personagem também vira, e só é possível usar strafe (andar para os lados) e andar para trás lentamente.
O sistema de esquiva foi simplificado em relação à RE6, e melhorado em relação à Revelations 1. É possível se esquivar a qualquer hora ao apertar um botão e apontar a direção com o analógico (serve apenas para frente, lados e para trás), e a distância de esquiva é curta - até mesmo com uma das habilidades possíveis de adquirir. Além disso, durante a esquiva é possível sofrer dano.

Outra coisa que me chamou a atenção foi o Partner Zapping - sistema implementado em Resident Evil 0 e praticamente esquecido depois. Com o toque de um botão, é possível alternar entre os personagens, e isso muda completamente a experiência dependendo do trecho do jogo.
Diferente de Revelations 1 e RE6, onde o parceiro possuía vida infinita, munição e era basicamente um Deus (inútil, porém), em Revelations 2 os parceiros possuem vida e a IA está programada para NÃO ATACAR letalmente. Ou seja, sem facadas ou tiros frequentes, e quando isso acontece (graças à uma das habilidades), o dano é extremamente baixo e as reservas de munição não são gastas. Pode ser um ponto no qual muitos criticam, mas sem isso, o jogo seria completamente desbalanceado e fácil.
Sobre a vida dos personagens: Apenas Moira e Natalia tem suas chances de viver quando a vida chega a 0. Após tomarem muito dano, elas entram em "Last Stand", ficando jogadas no chão e podendo ser revividas. Porém, se Claire ou Barry tomarem muito dano, o resultado é Game Over. Eu achei isso bem justo, pois Moira e Natalia são um "suporte", e isso compensa a falta de armas.


A experiência no jogo

Minha primeira jogatina foi tensa, pois mesmo sabendo o que fazer, haviam trechos que eu tive de pensar rápido, bolar uma estratégia e assim sair vivo. Além disso, guardei as munições de Shotgun e outras armas fortes, ou seja, durante quase toda a campanha joguei apenas com pistolas e metralhadoras. Isso tornou o jogo bem mais desafiador, pois eu sabia que se usasse as munições fortes, sobrariam apenas as fracas. Mesmo sendo possível encontrar munição em vários cantos, a quantidade é pouca.

Morri diversas vezes, sendo a maioria enquanto controlava o personagem principal. E foi mais por teimosia mesmo, pois eu via a tela piscando em vermelho e ainda assim continuava. Mas outras vezes morri enquanto controlava o parceiro e deixava o principal correndo por aí. Isso me fez ficar mais atento, e vi que o mesmo esquema de cuidar dos dois personagens, tipo no Resident Evil 5, estava ali presente.

Alguns puzzles pude resolver por memória dos vídeos que havia visto, porém outros - na verdade a maioria - tive de pensar para resolver. Os puzzles de Revelations 2 não são impossíveis, e são no estilo dos clássicos da franquia: Quando você descobre como faz, percebe que o enigma é bem besta. Mas para descobrir, é necessário pensar um pouquinho mesmo...


A diferença entre as campanhas

A campanha de Claire é curta, e mesmo com um arsenal mais limitado, a personagem não enfrenta tantos inimigos. Ao final de sua campanha eu possuía tanta munição, que tive de entregar alguns itens à Moira.

Em compensação, a campanha de Barry é bem longa e o arsenal dele é mais poderoso, já possuindo uma Magnum logo de início. Porém, em diversos trechos fiquei sem munição e tive de recorrer à faca, não só porque os inimigos vem em maior quantidade, mas também por serem mais poderosos.

Acredito que a campanha que seja mais voltada ao Survival Horror seja a do Barry, pois Natalia é apenas uma criança e não possui nada que ajude sempre, diferente de Moira que possui um Crowbar e uma lanterna capaz de cegar os inimigos. Além disso, a história na campanha de Claire é muito superficial, sendo mais aprofundada através da campanha de Barry.


Cutscenes e gráficos

Sobre as cutscenes, mantenho minha opinião do artigo anterior sobre o jogo: Elas estão boas, mas o face-modeling está estranho. Porém, isso se aplica apenas aos personagens secundários, pois os principais estão, de alguma forma, aceitáveis. Claire não está tão boa quanto em Resident Evil: Degeneration (sua última aparição na cronologia), mas está bem expressiva, apesar da maior parte do tempo estar estressada. Barry está completamente diferente, e mesmo sendo estranho à primeira vista, a Capcom soube usar isso de forma boa, deixando-o mais expressivo do que Claire.
Em alguns trechos, até mesmo in-game, também é possível ver que Barry sorri, se estressa e se chateia com alguns fatos. Essas alterações de humor de acordo com o progresso no jogo são bem interessantes, e aliado à personalidade de "pai protetor" com Natalia, é possível ter uma experiência bem interessante jogando com ele.

Sobre os gráficos, esse é um fator que me surpreendeu principalmente no Raid Mode. Por ser um título barato, a Capcom não pôde caprichar e deixar tudo natural como algumas empresas atualmente fazem, mas mesmo assim as texturas, de alguma forma, estão boas. Pelo menos no PS3.
Como já comentei no artigo anterior, as texturas não estão no nível RE5, que eram bem detalhadas. Porém, elas apresentam algo nunca antes visto nos jogos da franquia: Reflexo natural da iluminação.
Em algumas fases do Raid Mode, mais especificamente nos mapas de RE6 e Revelations 1, todas as texturas foram substituídas. E o que chama a atenção são as texturas metálicas, que refletem as luzes de forma muito natural. Nada está "emborrachado" como em RE6, exceto algumas pedras.
As texturas das roupas dos personagens também estão boas e detalhadas. Apenas em um trecho com água na campanha de Claire é possível ver sua calça "emborrachada", mas é algo rápido e apenas para indicar que a personagem está molhada.


Jogabilidade

Como já comentei, a jogabilidade não está no estilo RE6, mas foi baseada nele. Mesmo com o esquema "tiro na cabeça e golpe", o jogo não está tão fácil, pois os inimigos atacam em bando e é difícil ficar apenas nisso para matar todos eles. Em resumo, a jogabilidade está bem balanceada e não há nada exagerado.

Mesmo assim, faltou um elemento importante para deixar o jogo mais real. Os personagens possuem fôlego limitado para correr, mas possuem stamina infinita e assim podem desferir quantos golpes quiserem consecutivamente. Esse foi um dos elementos interessantes de RE6 que faltou em Revelations 2, mas mesmo assim, por um lado, é algo descartável.


Sobre o Raid Mode

Acredito que a única reclamação que eu tenho em relação à esse Extra, no geral, é o fato de não estar nem um pouco fiel ao Raid Mode de Revelations 1.
Em Revelations 1, todas as fases possuíam um objetivo: Chegar até o final passando por vários inimigos, alguns opcionais para matar. Já em Revelations 2, o extra está mais voltado ao Survival, parecendo uma adaptação do extra The Mercenaries só que com menos munição e mais estratégia.

De qualquer forma, mesmo com algumas habilidades OPs e non-sense dos personagens, digo que o modo está MUITO divertido e equilibrado, pois novos tipos de inimigos foram inclusos. O modo se voltou à ação em apenas uma área (ou seja, sem abrir portas), mas não deixou de ser difícil como no antecessor e ainda agradou quem curtia os dois extras já mencionados.

Além disso, apenas no Raid existem as microtransações e DLCs. Felizmente, a Capcom deu a oportunidade para qualquer jogador usufruir das vantagens das microtransações - os Life Crystals - separando o que é pago e o que é conquistado, mas ainda com o mesmo efeito.
Os personagens de DLC - Albert Wesker e HUNK - também podem ser considerados opcionais. Mesmo possuindo habilidades únicas (Evade Cancel e Stealth Cloak), os outros personagens possuem habilidades no nível ou até melhores.

Quanto às armas e customizações, há apenas um defeito, mas é bem simples. Durante a customização de uma arma, não é possível ver a alteração em números dos stats. Basicamente, ao equipar uma Custom Part, o jogador deve saber bem o que e como aquilo vai mudar a arma.
De resto, o sistema de customização está mais amplo e merece elogios. Custom Parts de níveis baixos podem ser upadas através de um recurso novo: O Toolbox. Isso já deixa o inventário do jogador mais organizado e sem itens fracos.

A conexão do co-op também está boa, assim como sempre esteve em RE5, RE6 e Revelations 1. O menu do matchmaking é meio confuso no começo, mas ele é basicamente o mesmo de Revelations 1.


Conclusões

Este é o primeiro jogo no qual eu quebro a cara de forma positiva. Muitos jogos, como RE6, REORC e os da franquia Call of Duty sempre me surpreenderam pelo marketing e pelo material divulgado, mas ao jogar sempre me decepcionei ao ver que nada era como na divulgação. Revelations 2 seguiu uma linha contrária, onde o material divulgado me fez apenas concluir que o jogo seria horrível, mas na real conseguiu ser, no meu ponto de vista, mais próximo aos clássicos: Um Survival Horror bom, com qualidade.

É impossível tentar prever se a Capcom seguirá essa mesma linha com os próximos jogos, mas se eles querem cumprir a promessa de fazer a franquia voltar às suas origens, eles devem seguir o mesmo estilo de Revelations 2: Um jogo mais calmo, sem muita ação, mas com muito raciocínio e uma história profunda com base em algo.

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